sábado, 16 de agosto de 2014

Sleepless

longas horas
passo sem sono.

alugo um leito
e nada sonho.

vejo o tempo

nos ponteiros
dos relógios
quebrados.

os galos cantam

no meio da noite.
ardem os olhos
acesos e frios.


homens passam,
assobiam um samba
-enredo do carnaval
passado.

cansado
engulo as horas.
acordo estrelas.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Das Janelas

Das janelas dos condomínios, ouvimos:
"Depois ligamos."Quem sabe, amanhã?"

Passam:bicicletas,ônibus,cães,
pessoas, árvores, automóveis.

Vemos a poeira dos livros
na tela dos computadores.

Entrega-se o amor sem ao peso do tempo.
{Marcam os dedos os ponteiros dos relógios}

Fogem os olhos das ruas;as mãos espalham
as cinzas no vazio e na luz da cidade morta.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Stop!

A tarde voa.
Param os ponteiros
dos relógios comprados
na banca do camelô.

Meninos
desenham
estrelas.

Movimentam o céu,
os bilhetes colados

nos papagaios
 de papel.

Manhãs
desfiam
nuvens.

Renascem as folhas
na sombra dos quintais.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Oferendas

A tarde a chuva alaga as ruas;
sangram açudes e poços, visita
os mares, a fúria do vento.

Calço sapatos sem laços.
Mãos delicadas amassam anéis,
descalçam a luva do tempo.

Rolam as pedras, ouço trovões;
bordo flores na brancura das rendas
e faço oferendas a deusa do sol.