sexta-feira, 30 de maio de 2014

Um poema na Alma

Anoitece uma poema na alma.
Fios de fumaça apagam estrelas.

O café e o pão esfriam na mesa.
Vai ao chão a porcelana chinesa.

Espero o poema  como quem parte
e recorda o olhar do amor ausente.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Assim passas

Colei teus poemas
na cores e dobras
dos vestidos.

O eco das palavras
multiplicam as fibras
do coração das almas
dilaceradas.

Assim passas...

Renovas os sentidos
e entregas à noite,
as lembranças do dia.

Quebram-se os relógios,
esqueço-me das horas
desmarcadas. Sinto
a falta de tua alegria.



segunda-feira, 26 de maio de 2014

No caderno azul

.
.
.

Queria que a manhã de ontem
fosse a mesma daquele mês de agosto
quando teu rosto colava-se ao meu.

Queria a literatura mais pomposa,
e a voz mansa a desenhar palavras
em cores no vazio da minha alma.

Havia perfumes no verde das folhas
soltas nas margens.


A mão insiste na arquitetura do poema,
retoca uma fotografia do eterno amor,
nas páginas e temas do caderno azul.



sábado, 24 de maio de 2014

O Grito das árvores

o grito das árvores
levará o vento, os rios
e as folhas soltas
até a foz...

choram sobre laços
e nós e abraços
apertados

das almas no corpo
dos homens e dos
animais.

Há mil  palavras mortas
à míngua presas à língua
enrolada na garganta.

sábado, 17 de maio de 2014

Tempo móbile

Move o tempo em mim.
Apaga as rugas e os séculos
das gerações de amores
e cantores de fados.

Move o tempo. Entrego-me
aos corpos dos dançarinos,
amantes de vinhos postos
nas mesas dos cabarés.

Esqueço-me das horas dedicadas
às preces que perdoam pecados.

Entro nas rodas de samba
e recordo-me dos maxixes
do Rio de janeiro antigo.

Digo não às baladas
dos cornos e fracos.

Vivo longas horas
marcadas nos braços
de amores pagos
 para amar.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Insones




Ouvem o silêncio das almas.
Ouvem os pássaros 
e as árvores desfolhadas.
Desenham asas desbotadas,
sentem o sono das borboletas
no meio das madrugadas.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Palavras de Mãe

Depois do almoço,
guardar a louça,
desligar de amores
sonolentos,

rever cadernos.
e um livro esquecido
na mesinha do quarto;
recordar deveres
e lições e saber
que vida passa
entre as coisas
e as rodas do mundo.

- Acorda, menino!
.

domingo, 11 de maio de 2014

Recados de Mãe


Guardar a louça,
desligar o telefone.

Rever cadernos
ler um livro esquecido
na mesinha do quarto,
 recordar deveres
 e lições.

- Acorda, menino!